Realizar estágio no Centro de Reabilitação e Integração de Fátima (CRIF), mais concretamente com utentes do Centro de Atividades e Capacitação para a Inclusão (CACI), tem sido uma experiência extremamente enriquecedora, tanto a nível profissional como pessoal. Enquanto estagiário de Psicomotricidade, tem permitido crescer, aprender e compreender melhor o impacto real da nossa intervenção no dia a dia dos utentes.
Desde cedo percebi que a Psicomotricidade, neste contexto, desempenha um papel muito importante e vai muito além do trabalho corporal e motor, procura-se promover a comunicação, a expressão emocional, a autonomia e, acima de tudo, o bem-estar de cada utente. Cada sessão é pensada de acordo com as características do grupo e de cada pessoa, respeitando os seus ritmos, interesses e necessidades.
Entre as atividades dinamizadas, o teatro tem assumido um papel de especial destaque. As dramatizações, jogos de faz-de-conta e pequenas representações revelam-se ferramentas muito completas de intervenção psicomotora. Através do teatro, é possível trabalhar a expressão corporal, a criatividade, a comunicação e a interação com os outros. É interessante observar como, dentro de um papel ou de uma personagem, muitos utentes conseguem soltar-se mais, demonstrar emoções e experimentar novas formas de estar e de se relacionar com os outros.
A dança é também uma presença constante nas sessões. Através da música e do movimento, trabalhamos a coordenação, o ritmo e a consciência corporal, mas também a alegria de participar e de se expressar livremente sem julgamentos, sendo possível ver o impacto destes momentos para a disposição diária dos utentes.
As histórias sensoriais surgem permitindo momentos de exploração estímulos através de sons, texturas e objetos, estimulando a atenção e a curiosidade, sempre de forma ajustada às capacidades de cada um.
Para além do trabalho em grupo, acompanho também alguns casos individuais, onde a intervenção é mais específica e direcionada. Nestes momentos, a relação terapêutica, a escuta e a adaptação das estratégias tornam-se ainda mais essenciais.
Enquanto estagiário, este percurso tem sido feito de desafios, mas também de muitas conquistas. No entanto, são precisamente as pequenas evoluções — uma maior participação, um gesto novo, um sorriso — que dão verdadeiro sentido ao nosso trabalho.
Destaco, de forma muito especial, o papel da minha orientadora neste processo. O acompanhamento tem sido fundamental no meu processo de aprendizagem. É através da sua orientação, feedback e exemplo prático que tenho vindo a desenvolver competências, a refletir sobre a minha intervenção e a crescer enquanto futuro profissional na área da Psicomotricidade.
Considero assim que a Psicomotricidade tem um papel fundamental neste contexto, contribuindo para a inclusão, a qualidade de vida e a valorização das capacidades de cada pessoa. Este estágio tem-me permitido não só desenvolver competências profissionais, mas também crescer enquanto pessoa, reforçando a certeza de que intervir através do corpo é, muitas vezes, abrir caminhos para comunicar, relacionar e incluir.
Miguel Correia
Aluno da Licenciatura em Reabilitação Psicomotora
Universidade de Évora


